Falando sobre maternidade: Winnicott e a teoria da “mãe suficientemente boa”

Compreender as expectativas emocionais atreladas à experiência da maternidade é uma das chaves para a construção de relacionamentos sólidos com os filhos e consigo mesma.

Uma das maiores preocupações que passa na cabeça de uma mãe é se ela está sendo uma boa mãe, ou mesmo se está sendo uma mãe perfeita. Em relação a esse assunto, hoje vamos falar de Winnicott, e o conceito da “mãe suficientemente boa.”

Em um programa de rádio, o pediatra e psicanalista Donald Woods Winnicott, falava com mãe, mulheres, enfermeiras, e fundamentou a ideia que para a criança recém-nascida, o ambiente é a mãe.

Winnicott fala das três funções maternas primárias em relação ao bebê:

– holding, que seria a sustentação, tanto física, como psíquica, o acolhimento, proteção que a mãe dá ao bebê, através de comportamentos afetivos, como alimentar, proteger, limpar, acolher;

– handling, o manejo, que se refere-se aos cuidados físicos, o manuseio corporal do bebê;

– object-presenting, a apresentação de objetos, como o seio ou a mamadeira, onde o bebê tem a ilusão de que o objeto serve para suprir os seus desejos, e também é o momento em que a mãe tem a função de formação de relações objetais e relacionamentos interpessoais.

Winnicott nos ajuda a entender que mãe e pai, antes de serem mãe e pai, são seres individuais, com suas próprias necessidades, e que tem que se adaptar para atenderem quais são realmente as necessidades dos bebês.

E quanto mais os filhos forem crescendo, criando sua individualidade e também sua autonomia, menor precisa ser a adaptação, tanto da mãe, como do pai, sendo que este deve entender, que seu papel, além de participar ativamente na criação e na vida dos filhos, deve dar suporte e total segurança emocional para mãe, para que ela confie plenamente na sua maternidade.

Já a mãe, nos primeiros momentos do bebê, deve deixar em suspenso uma parte de sua individualidade, dando ao bebe proteção e provendo o que for suficientemente necessário para a criança.

Nesse ponto, a mãe suficientemente boa deve ter o equilíbrio para prover o que for o necessário para seu filho, mas sem abrir mão totalmente de suas próprias necessidades.

Durante o crescimento da criança, a mãe suficientemente boa, também se desenvolve, não apenas ensinando, mas também aprendendo com os filhos.

A mãe vai entendendo que não é perfeita, e ao entender o equilíbrio, sabe a hora certa para favorecer tanto as ilusões, quanto as desilusões dos filhos.

Vemos como exemplo a história de duas irmãs que são mães. Ambas casadas, que trabalham fora e que contam com o apoio do marido. A irmã mais velha busca o ideal romantizado da mãe perfeita, e como não consegue alcançar essa perfeição, sente que está errada, causando frustração a si própria.

Do outro lado, a irmã mais nova conseguiu entender que é natural as dificuldades acontecerem, sabe que isso é normal, e que antes de ser mãe, ela é uma mulher, com seus medos, suas necessidades, entendendo o seu corpo, sua sexualidade. Ao ter esse entendimento, tem a segurança de que ao reclamar do cansaço, por exemplo, não diminui o amor que sente pelo seu filho, pois o cansaço é uma condição física natural do ser humano.

Isso vai de encontro a teoria de Winnicott, a qual sugere que quando a mãe busca pelo ideal da perfeição, tem como resultado o sofrer mais do que precisa, por ter frustrada a sua expectativa.

Ao buscar esse equilíbrio, sabendo que não precisa ser a mãe perfeita, mas sim a mãe suficientemente boa, consegue perceber e procura satisfazer as necessidades dos filhos, e ao mesmo tempo, compartilha as experiências, buscando não interferir negativamente no desenvolvimento das crianças.

A mulher sabe que pode sim falhar, mas busca corrigir essas falhas, criando, nesse conjunto de cuidados, acertos e erros a “comunicação do amor”, assentada pelo fato de haver ali um ser humano que se preocupa.” Winnicott.

Quer saber mais e entender sobre o conceito de “mãe suficientemente boa”, ou você se sente insegura como mãe, e quer entender melhor o que você está sentindo? Siga as redes sociais do IBRAPSI e conheça nosso blog.

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